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Mudança de função e transferência no trabalho: quais são seus direitos?

A função que você exerce dentro da empresa é um dos aspectos mais importantes da sua carreira profissional. Ela define não apenas as atividades que você irá realizar no dia a dia, mas também o seu salário, as possíveis gratificações e os benefícios aos quais você tem direito. Entretanto, o que acontece quando essa função sofre alterações? Como você deve se comportar diante de uma possível transferência ou rebaixamento? Quais são os seus direitos trabalhistas nesse tipo de situação?

Neste artigo, vamos abordar em detalhes a mudança de função no ambiente de trabalho e a transferência de localidade, explicando os direitos do trabalhador e os cuidados que devem ser tomados tanto por empresas quanto por funcionários. Com base nas leis trabalhistas brasileiras, vamos esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, para que você saiba como proceder caso se depare com essas situações.


Mudança de função no trabalho: o que você precisa saber

A mudança de função no trabalho ocorre quando o empregador decide alterar o cargo ou as responsabilidades de um funcionário. Essa decisão pode ocorrer por diversos motivos, mas deve seguir uma série de regras para garantir que os direitos do trabalhador sejam respeitados. Vamos entender melhor como funciona esse processo e quando ele pode ser considerado ilegal ou prejudicial ao trabalhador.


Quando a mudança de função é permitida?

A mudança de função é permitida em algumas circunstâncias específicas, mas, em todos os casos, a empresa deve justificar adequadamente a alteração e comunicar o funcionário com antecedência.

  1. Mudança em Cargos de ConfiançaCargos de confiança, como gerentes, supervisores e outros cargos de liderança, estão mais sujeitos a mudanças, especialmente quando há uma reestruturação organizacional ou alteração na direção da empresa. Nesses casos, o empregador pode transferir ou rebaixar o funcionário para outro cargo, desde que essa mudança seja bem explicada e acordada entre as partes.Se um trabalhador em cargo de confiança for rebaixado, por exemplo, ele perderá o direito ao adicional de gratificação de função, já que o novo cargo não justifica mais o pagamento desse benefício. Porém, é importante lembrar que a mudança de função deve ser sempre discutida previamente com o empregado para evitar surpresas.

  2. Durante o Período de ExperiênciaOutra situação em que mudanças de função são comuns é quando o trabalhador está em período de experiência para uma nova função. Nesse período, o funcionário pode receber uma gratificação, mas, se após o término da experiência ele retornar à função anterior, a gratificação pode ser retirada, uma vez que o trabalhador não mais desempenha as atividades que justificavam o pagamento adicional.

  3. Mudança de Função por Motivo de Condições de TrabalhoQuando a mudança de função ocorre devido a alteração nas condições de trabalho, como a remoção de exposição a agentes perigosos ou insalubres, o trabalhador pode ter o direito de manter os adicionais recebidos, como o adicional de periculosidade ou insalubridade. No entanto, esses adicionais só podem ser retirados se o funcionário deixar de estar exposto aos riscos que justificavam o pagamento desses valores, como eletricidade, materiais inflamáveis, ou resíduos insalubres.


Quando o rebaixamento de função é ilegal?

Existem situações específicas em que o rebaixamento de função não é permitido e o trabalhador tem o direito de contestar a mudança judicialmente. Entre essas situações, podemos destacar:

  1. Extinção de Departamentos ou SetoresSe o rebaixamento de função ocorrer devido à extinção de um setor ou departamento, isso não pode ser considerado uma medida legal, mesmo que o trabalhador aceite a mudança. Nesses casos, o trabalhador tem o direito de recusar a mudança e, se necessário, ingressar com uma ação judicial para garantir seus direitos.

  2. Mudança de Função na Mesma Equipe (Chefia)Quando um trabalhador ocupa uma posição de chefia e é rebaixado para uma função inferior dentro da mesma equipe, isso pode causar danos à sua imagem profissional. A situação se torna ainda mais problemática se o rebaixamento o expuser à situação humilhante perante seus subordinados. Nesse caso, o trabalhador tem direito a ingressar na Justiça, buscando uma reparação por danos morais.

  3. Mau Desempenho ou Metas Não AtingidasO rebaixamento de função como forma de punição por mau desempenho ou não cumprimento de metas não é permitido pela legislação trabalhista. Se o empregador tentar justificar o rebaixamento dessa forma, ele estará violando os direitos do trabalhador, que poderá reivindicar judicialmente a reversão da decisão.


Transferência de localidade: o que fazer quando você é transferido?

Em muitos casos, a mudança de função não envolve apenas o cargo, mas também a transferência de localidade. Esse tipo de alteração no contrato de trabalho também tem implicações legais e deve ser tratado com cuidado tanto por empregadores quanto por empregados.

Quando o trabalhador é transferido para outro local de trabalho, a empresa deve arcar com todos os custos dessa mudança, incluindo despesas de transporte e, se necessário, um auxílio financeiro para cobrir a diferença de custo de vida, caso a nova localidade seja mais cara. Além disso, a transferência pode resultar no pagamento de um adicional de 25% sobre o salário do empregado, durante o período em que durar a transferência.

Esse adicional de 25% é pago para compensar o trabalhador pelos custos e dificuldades extras que envolvem a mudança de cidade ou região. No entanto, caso a transferência se torne definitiva, o adicional pode ser retirado, uma vez que o trabalhador já se adaptou à nova localidade.


Mudanças nas condições de trabalho com a transferência

Uma mudança de localidade não pode justificar a redução do salário do trabalhador, nem a retirada de adicionais, a não ser que as condições de trabalho também se modifiquem de forma significativa. Por exemplo, se o trabalhador for transferido para um local onde ele não esteja mais exposto a agentes perigosos ou insalubres, a retirada de adicionais de periculosidade ou insalubridade pode ser legítima.

Além disso, a transferência de localidade não pode ser usada como uma forma de rebaixar a função do trabalhador, reduzindo suas responsabilidades ou status na empresa, sem justificativa legal.


Mudanças de função e transferências de localidade podem ser processos comuns dentro das empresas, mas tanto empregadores quanto empregados devem estar atentos aos direitos e deveres de cada um para garantir que essas mudanças ocorram de forma justa e transparente. Em caso de dúvidas ou se você se sentir prejudicado por uma mudança de função ou transferência, é fundamental buscar orientação jurídica para proteger seus direitos.

Se você foi transferido ou rebaixado de função sem uma justificativa legal adequada, ou se a mudança de localidade implicou na retirada indevida de adicionais, é possível recorrer judicialmente para garantir o cumprimento dos seus direitos trabalhistas.


Se você deseja se manter informado sobre outras questões relacionadas ao direito trabalhista, siga nosso blog e nossa rede social: @venancioebaptista.adv.





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